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Indústria11 min de leitura

Certificado Energético Falso: Como Detetar Fraude no Imobiliário

Certificados energéticos falsos ou emitidos sem vistoria no SCE português: enquadramento legal, sinais de alerta e como confirmar a autenticidade antes de comprar ou arrendar.

Equipe CheckFile
Equipe CheckFile·
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Um certificado energético emitido por telefone, no mesmo dia, sem que ninguém visite o imóvel, continua a circular em anúncios de venda e arrendamento em Portugal. O documento tem selo, número de registo e a classe energética que o proprietário pediu — só falta a vistoria que a lei exige antes de qualquer avaliação real do edifício.

Este artigo é fornecido apenas para fins informativos e não constitui aconselhamento jurídico, financeiro ou regulatório. As referências regulamentares estão corretas à data de publicação. Consulte um profissional qualificado para obter aconselhamento adaptado à sua situação.

O que é o Certificado Energético e quando é obrigatório

O Certificado Energético é o documento emitido no âmbito do SCE — Sistema de Certificação Energética dos Edifícios — que classifica o desempenho energético de um imóvel numa escala de A+ a F. É obrigatório apresentá-lo em qualquer venda ou arrendamento, e a classe energética tem de constar do anúncio desde o primeiro dia de publicação, não apenas na celebração do contrato (DGEG — SCE, Sistema de Certificação Energética dos Edifícios).

A base legal é o Decreto-Lei n.º 118/2013, de 20 de agosto, que criou o SCE, com alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 68-A/2015 e consolidadas pelo Decreto-Lei n.º 101-D/2020, de 7 de dezembro (Diário da República — Decreto-Lei n.º 118/2013). A ADENE — Agência para a Energia — é a entidade gestora nacional do SCE e regista os peritos qualificados habilitados a emitir certificados; a fiscalização e o regime contraordenacional competem à DGEG (Direção-Geral de Energia e Geologia).

Como funciona a fraude num certificado energético

A fraude mais comum não é um documento inteiramente forjado, mas um certificado real emitido sem a vistoria obrigatória. Segundo peritos qualificados citados pela imprensa, alguns colegas emitem certificados "por telefone, no mesmo dia", sem visitar o edifício — um documento formalmente válido, com número de registo, selo e assinatura, mas com dados que não correspondem ao estado real do imóvel (JN — Peritos denunciam certificados energéticos falsos).

Três padrões repetem-se nos casos reportados a associações profissionais e à ADENE:

  • Certificado sem vistoria física. O perito preenche o formulário com base em informação fornecida pelo proprietário ou agente, sem confirmar isolamento, caixilharia, sistemas de climatização ou orientação solar no local.
  • Perito não habilitado a atuar. A pessoa que assina o certificado não consta da lista de peritos qualificados da ADENE, ou usa a credencial de um técnico habilitado sem o seu conhecimento.
  • Classe energética empolada para inflacionar valor. A classificação atribuída é sistematicamente mais favorável do que a condição real do edifício, evitando o custo de obras de reabilitação e sustentando um preço de venda ou renda mais elevado.

De acordo com a Deco Proteste, citada em análises do setor, a maioria das irregularidades está ligada a peritos a operar sem a devida habilitação, e não à falsificação de documentos por terceiros (idealista/news — Como evitar fraudes nos certificados energéticos). Um preço manifestamente abaixo do praticado no mercado costuma acompanhar este tipo de certificado, precisamente porque dispensa a deslocação e a vistoria.

Sinais legítimos vs. sinais de alerta num certificado energético

Elemento a verificar Sinal legítimo Sinal de alerta
Vistoria ao imóvel Perito visita o edifício e regista dados observados in loco Certificado emitido no mesmo dia do pedido, sem visita comprovável
Identidade do perito Nome consta da lista de peritos qualificados no portal SCE/ADENE Nome ausente da lista, ou não identificável
Número de registo Formato "CE" ou "SCE" seguido de 13 dígitos, consultável em sce.pt Número inexistente, incompleto ou não localizável na pesquisa oficial
Preço do serviço Compatível com o valor de mercado para tipologia e área do imóvel Preço muito abaixo da média, sem justificação técnica
Coerência da classe Classe compatível com a idade, isolamento e sistemas do edifício Classe A ou B num edifício antigo sem obras de reabilitação registadas
Validade Dentro do prazo de validade indicado no próprio certificado Certificado caducado ainda a ser usado num anúncio ou contrato

Nenhum sinal prova, isoladamente, que um certificado é fraudulento — mas a combinação de vários, sobretudo um preço anormalmente baixo com uma classe otimista para a idade do imóvel, justifica confirmar o número de registo no portal oficial antes de avançar com a transação.

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Emitir um certificado sem a vistoria exigida, ou vender/arrendar um imóvel sem certificado válido, é contraordenação punível com coima entre 250 e 3.740 euros para pessoas singulares, e entre 2.500 e 44.890 euros para pessoas coletivas, reduzidas a metade em caso de negligência (Diário da República — Decreto-Lei n.º 118/2013). A DGEG instrui estes processos e pode aplicar sanções acessórias de suspensão da atividade a peritos em casos de violação grave dos deveres profissionais.

Um certificado energético emitido sem vistoria, com dados inventados apresentados como observação real do imóvel, pode configurar o crime de falsificação de documento previsto no artigo 256.º do Código Penal, punível com pena de prisão até três anos ou multa (Diário da República — Código Penal, artigo 256.º). A via contraordenacional e a via penal não se excluem: um mesmo perito pode responder simultaneamente perante a DGEG e perante um tribunal, consoante a gravidade e a intenção apurada.

A aplicação efetiva destas sanções tem sido historicamente fraca: reportagens do setor referem que, de 69 processos de contraordenação instaurados pela DGEG num período analisado, nenhum resultou em coima efetivamente cobrada (idealista/news — Certificados energéticos: violar a lei sai caro). Este historial de baixa cobrança reforça por que motivo a verificação prévia por quem financia ou intermedeia a transação — banco, agência ou cartório — pesa mais do que a expectativa de sanção a posteriori.

Infração Norma aplicável Consequência
Venda/arrendamento sem certificado válido, ou anúncio sem classe energética Decreto-Lei n.º 118/2013 (regime contraordenacional) Coima de 250 a 3.740 EUR (singulares) / 2.500 a 44.890 EUR (coletivas)
Perito qualificado que viola gravemente os deveres profissionais Decreto-Lei n.º 118/2013 e regulamentação SCE Coima e possível suspensão da atividade pela DGEG
Certificado com dados inventados apresentados como reais Código Penal, artigo 256.º Até 3 anos de prisão ou multa

Como verificar a autenticidade de um certificado no portal do SCE

O primeiro controlo é gratuito e demora menos de um minuto: inserir o número de registo do certificado na ferramenta oficial de pesquisa do SCE, onde qualquer pessoa pode confirmar se o certificado existe, a que imóvel corresponde e qual a sua classe energética (SCE — Pesquisa de Certificados).

  1. Aceder à pesquisa de certificados no portal sce.pt e introduzir o número completo do certificado (prefixo "CE" ou "SCE" seguido de 13 dígitos) ou os dados do imóvel — freguesia, artigo matricial e fração.
  2. Confirmar que a morada devolvida corresponde ao imóvel anunciado — um número válido associado a outra morada indica reutilização indevida de certificado.
  3. Verificar o nome do perito na lista de peritos qualificados da ADENE antes de aceitar o certificado como prova de conformidade.
  4. Confrontar a classe energética com a idade do edifício — uma classe A ou B num prédio anterior a 1990 sem obras de reabilitação documentadas exige explicação adicional.
  5. Reportar incoerências à ADENE através do formulário oficial, indicando o código do certificado, caso a informação não confira com o estado visual do imóvel.

A ADENE tem competência para verificar a qualidade dos processos de certificação realizados por peritos qualificados, incluindo a exatidão dos dados registados no certificado, e recebe comunicações de irregularidades através de um formulário próprio no portal (SCE — Qualidade do Certificado Energético).

O que muda a verificação automatizada para agências, bancos e cartórios

Um agente imobiliário, um banco a validar um crédito habitação ou um cartório a preparar uma escritura raramente têm tempo para cruzar manualmente um número de certificado com o portal SCE em cada processo — e é exatamente aí que um certificado "de favor" passa despercebido. A fraude documental no imobiliário português não se limita ao certificado energético: as denúncias de burla associadas ao arrendamento subiram 25% no primeiro trimestre de 2025 face ao período homólogo, segundo dados da PSP (Público — Fraude em aluguel de imóveis em Portugal cresce 25%).

A nossa metodologia aplica ao certificado energético, ao contrato e aos restantes documentos do processo uma análise multicamada (estrutural, metadados, coerência entre documentos) em vez de rever cada peça isoladamente, cruzando o número de registo, a morada declarada e a data de emissão com os restantes elementos do dossier antes de sinalizar uma divergência à equipa responsável. Este processo de verificação documental complementa, sem substituir, a pesquisa manual no portal oficial do SCE.

Esta abordagem integra uma camada adicional de sinais de geração por IA, disponível consoante a configuração do cliente, como complemento aos controlos estruturais já existentes sobre certificados energéticos e outros documentos do processo imobiliário — relevante face a certificados, escrituras ou comprovativos recompostos digitalmente a partir de um modelo autêntico. A deteção de sinais de geração por IA reforça os controlos existentes sem nunca garantir a identificação de toda a falsificação: soma-se à verificação estrutural, não a substitui.

O mesmo raciocínio aplica-se a outros documentos do setor: o artigo sobre orçamentos e certificados manipulados nos apoios à reabilitação energética detalha essa manipulação em candidaturas a fundos públicos, e o guia de verificação documental para agentes imobiliários cobre os restantes documentos de uma venda ou arrendamento. Para uma visão setorial mais ampla, consulte o guia de verificação documental por setor.

Perguntas frequentes

Um certificado energético com selo e número de registo é sempre genuíno?

Não necessariamente: o selo confirma que o perito está registado na ADENE, mas não garante que a vistoria ao imóvel foi realmente efetuada nem que os dados correspondem ao estado real do edifício. A única confirmação fiável é cruzar o número de registo na pesquisa pública do portal SCE e verificar se a morada e a classe coincidem com o imóvel em causa.

Como posso saber se o perito que emitiu o certificado está devidamente habilitado?

Consulte a lista de peritos qualificados disponibilizada pela ADENE no portal do SCE antes de aceitar o certificado como válido. Um nome ausente dessa lista, ou um preço muito abaixo do praticado no mercado para o tipo de imóvel, são sinais de que o certificado pode ter sido emitido por alguém sem habilitação para o efeito.

O que devo fazer se suspeitar que um certificado energético foi emitido sem vistoria?

Reporte a situação à ADENE através do formulário oficial de comunicação, indicando o código do certificado e a incoerência detetada, e evite assinar contrato-promessa ou escritura enquanto a situação não for esclarecida. Se existir indício de dados inventados apresentados como reais, a situação pode configurar falsificação de documento nos termos do artigo 256.º do Código Penal, além da contraordenação prevista no regime do SCE.

Um preço muito baixo para o certificado energético é, por si só, prova de fraude?

Não é prova, mas é o sinal de alerta mais citado por peritos e associações do setor, porque um preço muito reduzido normalmente significa que o perito dispensou a deslocação e a vistoria ao imóvel. Este sinal deve ser cruzado com a verificação do número de registo e do nome do perito no portal oficial antes de qualquer conclusão.

Tratar o certificado energético com o mesmo rigor de qualquer outro documento do processo

O certificado energético deixou de ser um mero anexo burocrático de uma venda ou arrendamento: é um documento com valor legal, sujeito a fiscalização da DGEG, e um dos elementos que um comprador, um banco ou um cartório deveriam poder confirmar em segundos, não em dias. A baixa taxa histórica de coimas efetivamente cobradas torna a verificação prévia, e não a expectativa de sanção, o controlo que realmente protege quem assina o contrato.

O CheckFile aplica ao certificado energético e aos restantes documentos de um processo imobiliário a mesma profundidade de verificação de um processo de crédito: coerência entre documentos, análise de metadados e sinais de geração por IA como complemento aos seus controlos existentes. A deteção de sinais de geração por IA soma-se aos controlos estruturais sem nunca os substituir. Consulte a solução para o setor imobiliário, a página de segurança, ou os preços para avaliar a integração no seu processo atual.

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